O homem que criou o Pasquim, com outros caras do ramo como o Tarso de Castro, sacaneia a desgraça, assim é que se faz:
“Fui corneado por meu fígado”, disse ao Marco Aurélico Canônico. Leia aqui na Ilustrada.
É que descobriu, aos 80, o diabo de uma cirrose. A maldita. A que lá levou muitos, como o samurai-polaco Paulo Leminski e uma legião de anônimos igualmente amigos da vodka.
Jaguar parou, mas não condena. Moralismo aqui não é a tônica.
Testemunhei bons bebedores por ai. Anônimos e conhecidos como o cubano Pedro Juan Gutierrez (Trilogia Suja de Havana etc).
Quem mais me assombrou, no bom sentido, foi o Jaguar. Já na casa dos 70 anos, bateu a mim, debutando nos 40, e Ronaldo Bressane com seus 30 e um chorinho. E o mais incrível: o jovem Bruno Torturra na flor dos 20 e poucos. O embate foi na Mercearia São Pedro.
É óbvio que o álcool faz mal sim, mas como obra milagres para a gente suportar a existência. Que belo lubrificante d´almas & caveiras, diz um amigo mexicano.
Como jornalismo e literatura, tradicionalmente, sempre gastaram os cotovelos na fórmica dos balcões dos bares, deixamos ai uma lista de 10 livros que tratam do assunto. Lembre-se, porém, meu jovem: Bukowski era um bêbado, mas nem todo bêbado é Bukowski.
Memórias Alcóolicas – de Jack London (várias editoras). Tenho uma edição rara da Paulicéia, editora já extinta e que deixou grandes livros no sebo. Clássico é clássico e vice-versa, como diria o Jardel.
Crônica do amor louco – Charles Bukowski (L&PM). Poderia escolher qualquer outro do velho Buk. Fico com esta reunião de contos pela narrativa “A mulher mais linda da cidade”.
Paris é uma festa – Ernest Hemingway. Saiu por várias editoras. O barba que reinventou o daiquiri em Cuba completou o tanque nos cabarés franceses.
Rum: Diário de um Jornalista Bêbado - Hunter S. Thompson (L&PM). O gonzo e sua aventura no Caribe. O filme não é lá essas cocadas, mas o livro é garantido.
Manual de sobrevivência nos butiquins mais vagabundos–Moacyr Luz com ilustrações de Jaguar e contracapa de Martinho da Vila (Senac Rio). Tudo que você queria saber sobre boteco e tinha vergonha de parecer um bêbado amador.
Confesso que bebi – Jaguar (Record). Memórias de um amnésico alcoólico. Crônicas de um bebedor profissa.
A morte e a morte de Quincas Berro D’Água – Jorge Amado (Record e Companhia das Letras). Acho o melhor livro do baiano porreta. Espiritismo, álcool, metafísica e safadeza.
Malagueta, Perus e Bacanaço – João Antônio (Ática e Cosac Naify). Viagem ao fim da noite dos bares. Com tacadas de sinuca ao fundo.
Pornopopéia – Reinaldo Moraes (Objetiva). Só o caminho do excesso, com várias saideiras a cada esquina, conduz ao palácio da sabedoria.
Bíblia Sagrada – Duvido que exista um livro no mundo no qual se bebeu tanto vinho. In vino veritas. Nele está a verdade. Até água foi transformada na santa bebida. E olhe que neste tempo não tinha essa frescura de cheirar a rolha e sentir o bouquet. Era tudo macho-jurubeba de Cafarnaum e arredores.
Óbvio que ficou faltando uma prateleira de bons livros com cheiro de álcool. E olhe que não molhei ainda a palavra hoje. Hora do amigo fazer justiça ai nos comentários.
Ih, de cara, já senti falta de um dos livros que mais gosto: “De Moscovo a Petuchki – a lucidez de um alcoólico genial- Venedikt Erofeev (Cotovia, Lisboa).
Foi por causa desse cara que escrevi o meu “Tripa de cadela & outras fábulas bêbadas”(ed. Dulcinéia Catadora, 2007). Não vem ao caso. Quero saber mesmo é o que há de bom e ficou de fora.
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